Ludovico Omar Bernardi assumiu no dia 7 de abril a coordenação de Pós-graduação da Unicesumar. Mestre em engenharia da produção, ele possui 14 anos de experiência como coordenador de cursos de pós-graduação, sendo doze deles em cursos vinculados à Fundação Getúlio Vargas. Seu último trabalho, antes de vir para a Unicesumar, foi em uma instituição de ensino superior em Aracaju. Ludovico vem somar esforços e planeja uma série de ações para o fortalecimento da pós-graduação na instituição. Nesta entrevista, o novo coordenador destaca pontos importantes que devem ser observados por quem busca sucesso na carreira profissional.
O aprendizado e a experiência obtidos na graduação já não são suficientes para garantir o bom posicionamento dos profissionais no mercado de trabalho?
Na verdade, aos poucos, o diploma universitário vem deixando de ser um grande diferencial no currículo profissional. Hoje, quem atua no mercado de trabalho já busca na pós-graduação uma chance de aprimoramento intelectual, ascensão profissional e, é claro, melhores salários. Possuir uma pós de fato traz vantagens financeiras: a diferença entre os vencimentos de quem possui o título e de quem detém apenas a graduação já é estimada em cerca de 70%, segundo pesquisas da Catho Online e Fundação Getulio Vargas. Por outro lado, há que se considerar que a distância entre os que se formaram no ensino superior e os que têm apenas o ensino médio vem caindo.
Qual o impacto de uma especialização na carreira de um profissional?
Simplificadamente, o que acontece atualmente em relação à pós é o mesmo que ocorria há alguns anos com a língua inglesa. Quem dominava o idioma, podia se gabar de possuir um conhecimento do qual poucos dispunham. Hoje, a língua é um pré-requisito em qualquer contratação especializada. O mesmo acontece com a universidade. Embora uma parcela significativa da população ainda não tenha acesso ao ensino superior, o diploma universitário não é diferencial. Isso só vem com a pós.
Em termos práticos, também temos que analisar a questão da renumeração do profissional e, nesse caso, os diferenciais de salário refletem a relação entre a demanda por trabalhadores dos diferentes níveis educacionais e a oferta desses profissionais no mercado. Em outras palavras: a remuneração dos pós-graduados é crescente, porque a procura por eles supera o volume de profissionais com esse título disponíveis no mercado. Já com os graduados acontece o inverso: há gente de sobra.
Qual o momento mais adequado para o profissional fazer uma pós? Assim que termina o curso, ou um pouco mais de experiência é indicado?
Muitos profissionais que cogitam fazer uma especialização se deparam com essa dúvida. Alguns optam por dar continuidade aos estudos logo após a graduação, outros preferem ganhar experiência no mercado antes de voltar para a sala de aula. No caso dos cursos stricto sensu – mestrado e doutorado acadêmico–, a idade não deve exercer grande influência na hora da escolha. Mais importante é a certeza de que se pretende iniciar ou aprofundar uma carreira acadêmica.
Já no caso da especialização (lato sensu), os analistas afirmam que aliar experiência no mercado com os estudos é a escolha mais acertada. Assim, estar integrado à área e em atividade é fundamental, porque os cursos de especialização contam com a contrapartida do aluno. Ou seja, na sala de aula, muitas vezes, os participantes são instados a discutir casos reais do cotidiano das grandes empresas, e a especialização se torna uma ferramenta a ser utilizada logo no dia seguinte na atividade do pós-graduando.
Quais são os critérios que um profissional deve levar em conta ao escolher uma pós-graduação?
O primeiro passo é saber qual o papel de um curso de pós-graduação dentro do momento particular do profissional. Investir em educação é sempre importante e uma especialização é uma eficaz fonte de qualificação e atualização, além de um excelente canal de networking. É preciso então avaliar o momento em que sua carreira se encontra e as suas pretensões.
Com o curso e a instituição em mente, o passo seguinte é fazer uma avaliação minuciosa em campo. É preciso analisar a escolha, levando em consideração a relação do curso com o mercado de trabalho, a adequação em relação à metodologia utilizada, a grade curricular e a qualidade do corpo docente.
Além das consultas, na hora de escolher a instituição de ensino valem também visitas in loco e conversas. Vá até o local e, se possível, assista a uma aula como aluno ouvinte. Isso ajuda a conhecer as linhas de pesquisa e os professores. É válido também dar uma olhada na infraestrutura da escola. Converse com alunos e ex-alunos para obter informações sobre o curso e a forma de aprendizado. E veja como isso é importante: grandes empresas do Paraná, entre elas algumas multinacionais, além de avaliar a escolaridade dos candidatos, levam em consideração as instituições em que estudaram. Portanto, um alerta para quem pensa em fazer uma pós-graduação: o conceito da instituição de ensino na área escolhida e a imagem que ela tem perante o mercado podem fazer diferença.
O preço do programa também deve ser avaliado, mas cuidado para não se deixar levar pelo bolso. Alguns exigem um investimento mais alto, mas o custo-benefício muitas vezes vale a pena. Faça as contas e calcule se a especialização trará o impacto e o impulso desejado na carreira. Por fim, veja ainda as facilidades oferecidas, como localização, carga horária e flexibilidade nos horários de aulas.
Como os gestores de Recursos Humanos e headhunters enxergam esse diferencial?
É essencial que o profissional tenha suas competências técnicas e comportamentais bem alinhadas. Entre os atributos relacionados ao comportamento estão pró-atividade, liderança, capacidade de trabalhar em equipe, organização e comprometimento. A busca é cada vez maior por pessoas classificadas como hands on - dispostas a suprir qualquer necessidade da empresa e dedicadas a alcançar metas.
O que o mercado espera de um profissional com especialização?
Um perfil distinto, que faça a diferença para a organização. Esse profissional deve saber fazer, delegar, acompanhar e cobrar atividades, além de ter uma boa capacidade técnica – com conhecimento prático e formação adequada e atualizada – completa. As empresas querem liderança nata. Não alguém que lidere somente pela função, mas pelo exemplo, que tenha poder de persuasão e know how nas atividades.